Em nossa primeira Formatura, no dia 16 de Outubro de 2011, houve a participação de 122 crianças, 27 adultos e adolescentes, a formatura dos 3 Instrutores ( Azul e Verde ) e a formatura do Professor Paulo Ricardo (corda Roxa).
Houveram apresentações de movimentos, atividades recreativas ,entrega de brindes, sorteio da Revista Capoeira e a entrega das respectivas graduações dos alunos.
O nosso projeto é denominado “ Educar também é uma Arte”, tendo o objetivo de difundir a capoeira e suas qualidades através do ensino metodológico, sistematizado, fisiológico, lúdico e cultural da mesma. Buscando afirmar a necessidade da profissionalização da capoeira e de seus difusores.
domingo, 8 de maio de 2016
sábado, 19 de janeiro de 2013
Toques de Berimbau
Todo mundo sabe que assim como toda orquestra tem seu
maestro, o maestro da Capoeira é o Berimbau. É ele quem dita o ritmo do jogo! Existem
muitos tipos de toques, uns mais conhecidos que outros, mas não por isso se
tornam mais importantes. Cada toque tem um momento, uma energia, uma cadência.
Vamos agora conhecer um pouco sobre esses toques...
Angola
É o toque específico do jogo de Angola. É um toque lento,
cadenciado, bem batido no atabaque, tem um sentido triste. É feito para o jogo
de dentro, jogo baixo, perigoso, rente ao chão, bem devagar. Praticado com a
mão no chão, onde o capoeirista mostra força e equilíbrio.
São Bento Grande de Angola
Esse toque é utilizado no jogo de Angola, é tocado com o
berimbau viola e fazendo repiques. Mas também há grupos de capoeira que usam o
toque São Bento Grande de Angola para jogar “regional” um jogo rapido e de
floreios.
São Bento Grande de Angola seria o mesmo que a capoeiragem
do tempo dos escravos, apenas assim denominada e talvez com algumas
modificações. Angola, como também é conhecida, é um jogo onde predominam
rasteiras e cabeçadas. É um jogo lento e cheio de armadilhas. Geralmente costuma
ser um jogo baixo, com bastamte movimentos próximos ao chão.
São Bento Grande de Bimba
Este toque foi criado por Mestre Bimba. É chamado também de
São Bento Grande da Regional. Toca-se ele com um berimbau médio, dois pandeiros
de cada lado fazem parte da formação da bateria (a essa formação instrumental
dá-se o nome de “charanga”). É um toque que transmite muita energia e exige dos
capoeiras muita técnica e atenção.
São Bento Grande
O toque de São Bento Grande corresponde ao toque do terceiro
ritmo. Quando o gunga o toca, o berimbau médio executa o São Bento Pequeno e a
viola toca o São Bento Grande. Nesse momento a luta é enfatizada no jogo,
exigindo velocidade de reflexos.
São Bento Pequeno
São Bento Pequeno é um toque de berimbau cadenciado e lento.
Ele é executado com duas batidas apenas com o apoio do dobrão sobre o aço,
seguida rapidamente de uma terceira batida marcada pelo dobrão, uma batida no
aço solto e um balanço do caxixi.
Iúna
O toque de Iúna (assim como os outros toques) não possui um
criador identificado, (assim como não existe ‘um criador’ da capoeira, a qual é
resultado de inúmeras experiências dos afro-brasileiros no tempo da
escravidão), no entanto, alguns capoeiristas atribuem sua criação ao Mestre
Bimba, onde ele servia para os alunos formados demonstrarem toda a sua
habilidade. Dentre estas habilidades, podemos citar: saltos, piruetas, firulas,
paradas-de-mão, etc
Mestre Bimba costumava desenvolver neste ritmo a chamada
“cintura-desprezada” ou “balões cinturados” que consistia em uma seqüência de
balões (movimentos em que um jogador é lançado para o alto e precisa cair em
pé), geralmente exigido ao aluno graduado.
Cavalaria
Em capoeira, cavalaria é o toque de alerta máximo ao
capoeirista. É usado para avisar o perigo no jogo, a violência e a discórdia na
roda. Na época da escravidão, era usada para avisar aos negros capoeiras da
chegada do feitor. Na República, quando a capoeira foi proibida, os
capoeiristas usavam a “cavalaria” para avisar da chegada da polícia montada, ou
seja, da cavalaria.
Samango
Toque onde a acústica da barriga é enfatizada. Era utilizado
para mostrar que existia a aproximação de pessoas no local onde estava sendo
executado e acompanhava a velocidade das passadas, aumentando com a
aproximação.
No Brasil, principalmente no nordeste, diz-se do soldado
razo, sem qualquer patente e/ou iniciante na polícia.
Diz-se, ainda, daqueles que são abobalhados, sem malícia
para brincadeiras pesadas e/ou maliciosas.
Santa Maria
Na capoeira, Santa Maria é o toque usado quando o jogador
coloca a navalha no pé ou na mão. Um dos toques mais bonitos do berimbau, o
tocador precisa desenvolver uma escala de notas e retornar ao começo da escala
que da ao ritmo uma caracteristica muito diferente dos demais toques da
capoeira, em especial da capoeira regional.
Benguela
Banguela é o mais lento toque de capoeira regional, usado
para acalmar os ânimos dos jogadores quando o combate aperta. É um jogo
cadenciado.
Amazonas
Amazonas é o toque festivo usado para saudar mestres
visitantes de outros lugares e seus respectivos alunos. É usado em batizados e
encontros.
Idalina
É um toque lento, mas de batida forte, que também é usado
para o jogo de faca ou facão.
Regional de Bimba
Regional de Bimba é um estilo da Capoeira voltada para o
combate.
Criada pelo Mestre “Bimba”, dividiu a capoeira em dois
estilos, sendo a outra a Capoeira de Angola, que até então era chamado de
brincadeira dos angolas.
O que caracteriza a capoeira regional de Bimba, são as suas
seqüências de ensino de ataque, defesa e contra-ataque, com movimentos mais
objetivos e eficientes, sem muitos floreios rasteiros, consiste em saltos e
golpes aéreos.
O praticante de capoeira regional de Bimba ganha força,
velocidade, elasticidade, ferocidade, relfexo e controle mais amplo dos
movimentos.
Samba de Roda
É o toque original da roda de samba, geralmente feita depois
da roda de capoeira, para descansar e descontrair o ambiente. É no Samba de
Roda que o capoeira mostra que é bom de samba, bom de cintura e bom de olho em
sua companheira.
Apanha a Laranja do Chão Tico-Tico
Nas festas de Santa Bárbara, era usado para o
"torneio" que consistia no seguinte: dois capoeristas exibiam-se
tentando apanhar com a boca um lenço branco que era jogado no meio da roda,
consagrando-se vencedor, aquele que o apanhava O referido toque é acompanhado
da melodia do mesmo nome, que originou-se deu uma brincadeira de roda, muito
conhecida em rodas que tem a presença de mestres antigos que botam uma cédula
no meio da roda e começam a jogar em busca dela.
Segue um vídeo com os tipos de toque. Vale a pena ouvir.
sábado, 27 de outubro de 2012
QUEM FOI MESTRE BIMBA?
UM POUCO DA HISTÓRIA
Filho de Luiz Cândido Machado e
Maria Martinha do Bonfim, Manuel dos Reis Machado, mais conhecido como Mestre
Bimba nasceu em Salvador-BA em 23 de novembro de 1900. Recebeu esse apelido
devido a uma aposta que sua mãe fez com a parteira. Ao contrário do que a Mãe
achava, a parteira disse que iria nascer um menino, se fosse receberia o
apelido de "Bimba" pôr se tratar, na Bahia, de um nome popular do
órgão sexual masculino.
Sua iniciação na capoeira foi aos
12 anos, lá pras bandas da Estrada das Boiadas, hoje um dos maiores redutos da
cultura Afro-Descendente Brasileira, o bairro da Liberdade, na cidade de
Salvador-Bahia, aprendeu os primeiros passos com um negro de origem africana de
nome Nôzinho Bento, conhecido por Bentinho Capitão da Cia de Navegação Baiana.
Ainda praticante de capoeira,
Mestre Bimba começou a ensinar em 1918, sendo seus alunos negros e mulatos das
classes populares. Mas apesar da pouca idade (18 anos), possuía alunos também
de classes privilegiada. O capoeira da época teria que aprender a ser uma
pessoa extremamente intuitiva e habilidosa capaz de raciocinar diante das mais
distintas formas de perigo, muitos eram capazes de demonstrar seus dotes de
habilidade realizando verdadeiras proezas, assim como o Mestre Bentinho, que
era capaz de executar um salto mortal na boca de um caixote de cebolas e cair
em pé no mesmo sem quebra-lo. Situações de bravura, destreza e inteligência
eram comuns no meio da capoeira.
Ele aprendeu a Capoeira da época,
hoje denominada Angola, porém em 1928 Mestre Bimba fundiu a capoeira que havia
aprendido, com elementos do Batuque e acrescentou a sua criatividade criando
assim a qual chamou “Luta Regional Baiana” a “Capoeira Regional”. Sua criação
ganhou o mundo, e a partir de então a capoeira nunca mais foi a mesma. A partir
da década de 30, com a implantação do Estado Novo, o Brasil atravessou uma fase
de grandes transformações políticas e culturais, onde os ideais nacionalistas e
de modernização ficaram em evidência. Nesse contexto, surge a oportunidade de
Mestre Bimba fazer com que seu novo estilo de capoeira alcançasse as classes
sociais mais privilegiadas. Em 1936 fez a 1º apresentação do trabalho e no ano
seguinte foi convidado pelo governador da Bahia, o General Juracy Magalhães,
para fazer uma apresentação do palácio do governador onde estava presentes
autoridades e convidados, inclusive o presidente da época, Getúlio Vargas.
Dessa forma a capoeira é reconhecida como "Esporte Nacional" e Mestre
Bimba foi reconhecido pelaSecretaria de Educação, Saúde e Assistência Pública
do estado da Bahia como Professor de Educação física e sua academia foi a 1ª no
Brasil reconhecida por Lei.
A.BA e D.B. (antes de Bimba e
depois de Bimba). Assim podem ser entendidas as mudanças sofridas pela capoeira
no início de século. Antes de Bimba, a luta era ilegal, passível de punição
pelo Código Penal, discriminada pela burguesia como coisa de malandro, de
escravo fujão. Os capoeiristas sequer sonhavam em sobreviver (no sentido de
trabalho e fonte de renda) dessa manifestação popular. Bimba rompeu com este
ranço. Deixou as funções de carroçeiro, trapicheiro, carpinteiro, doqueiro,
carvoeiro para abraçar a capoeira e o seu instrumento mais ilustre, o berimbau.
Mestre Bimba acreditava que a
capoeira tinha que se renovar para não ser engolida pelas lutas estrangeiras. A
preocupação, apesar de à primeira vista soar bairrista, tinha razão de ser. Até
hoje, são lutas como o boxe americano e o judô japonês que circulam na mídia,
nas Olimpíadas, lotando estádios e enriquecendo seus atletas, empresários e
patrocinadores. Lutando incessantemente para que a capoeira fosse reconhecida
como a legítima arte marcial brasileira, Mestre Bimba criou a Capoeira
Regional, jogo que ganhou este batismo pela aversão do mestre a
estrangeirismos, fazendo questão de chamá-la de "Luta Regional
Baiana". A Capoeira Regional é um estilo menos ritualístico do que a
capoeira tradicional, conhecida como angola.
Os golpes introduzidos por Mestre
Bimba facilitavam a defesa pessoal quando do embate com praticantes de outras
lutas, como as artes marciais importadas muito populares no Brasil nas décadas
de 30 e 40. Nessa época, desafiou todas as lutas e consagrou-se como primeiro
capoeirista a vencer uma competição no ringue, quando o público incentivava com
o grito de guerra "Bimba é bamba!".
Casado e pai de 10 filhos, Bimba
enfrentava problemas financeiros. Assim, acreditando em promessas de maior
reconhecimento e de uma vida melhor, Mestre Bimba deixa Salvador e parte para
Goiânia em 1973, sob acusação de que os Poderes Publicos não teriam lhe dado o
devido valor. No ano seguinte a sua partida, no dia 05 de fevereiro de 1974, em
Goiânia, Mestre Bimba veio a falecer vítima de um derrame cerebral. Bimba
morreu aos 73 anos, sem presenciar a profissionalização da capoeira que ajudou
a criar. "Meu pai morreu de banzo (tristeza), por não ver a capoeira
respeitada", revela o filho Demerval Machado, o Mestre Formiga.
OS MANDAMENTOS DE BIMBA
Mestre Bimba escreveu estes
mandametos, que ficavam fixados em uma das paredes de sua academia, e os
recomendava a todos os alunos e capoeiristas em geral
.Respeitar o mestre e guardar disciplina durante os treinos..Manter vigilância permanente em todo o ambiente..Não perder de vista os movimentos do parceiro..Manter a calma em todas as situações..Cuidar da segurança dos companheiros de treino..Zelar pela higiene do ambiente de treino..Não usar os conhecimentos adquiridos em brincadeiras ou agressões de rua..Obedecer ao comando do berimbau durante a prática da capoeira..Obedecer às instruções do mestre durante os treinos..Praticar diariamente todos os movimentos já aprendidos.
.Não se afastar nem virar de costas para o parceiro.
Além destas recomendações, havia
também um regulamento básico impresso no folheto ilustrado que traz as lições
de seu Curso de Capoeira Regional, e que acompanha o disco long-playing onde se
acham gravados os toques e as cantigas referentes às lições. O regulamento
consta de nove itens:
1 - Deixe de fumar. É proibido fumar durante os treinos.
2 - Deixe de beber. O uso do álcool prejudica o metabolismo muscular.
3 - Evite demonstrar aos seus amigos de fora da roda da capoeira os seus progressos. Lembre-se que a surpresa é a melhor arma de uma luta.
4 - Evite conversa durante o treino. Você está pagando pelo tempo que passa na academia e observando os outros lutadores, aprenderá mais.
5 - Procure gingar sempre.
6 - Pratique diariamente os exercícios fundamentais.
7 - Não tenha medo de se aproximar do oponente; quanto mais próximo se mantiver, melhor aprenderá.
8 - Conserve sempre o corpo relaxado.
9 - É melhor apanhar na "roda" que na rua.
MÉTODO DE TREINAMENTO DE BIMBA
Mestre Bimba desenvolveu o 1º
método de ensino que vemos a seguir como ele funcionava:
• Exame de admissão: Dizia-se que
em outros tempos, Mestre Bimba aplicava uma "Gravata" no pescoço do
indivíduo que quisesse treinar e dizia "Aguenta ai sem chiar". Se
aguentasse o tempo que ele mesmo determinava, estaria matriculado. Mestre Bimba
justificava esse critério dizendo que só queria macho em sua academia. Mais
tarde mudou os critérios, submetendo o candidato a fazer alguns movimentos para
que ele pudesse avaliar se o pretendente tinha condição ou não para praticar a
capoeira regional. A próxima fase seria aprender a "Sequência de
Ensino".
• O aprendizado: O aluno nessa
fase aprendia o que se chamava "Sequência de Ensino" que eram as oito
sequências de movimentos de ataque, esquivas e contra-ataque, destinados
somente aos iniciantes, simulando as situações mais comuns que o aluno
enfrentaria durante o jogo de capoeira.
Observação:Esse foi o 1º método
de ensino criado para ensinas alguém a jogar capoeira e o calouro treinava
essas sequências em duplas sem o acompanhamento dos instrumentos. Quando estas
estivessem bem decoradas o Mestre dizia: "Amanha você vai entrar no aço,
no aço do berimbau”. Era comum naquele tempo dizerem que o capoeirista quando
agarrado, não tinha como reagir. Então mestre Bimba, com sua criatividade
ensinava seus alunos quais eram as melhores saídas. Todos esses ensinamentos
faziam com que o método de mestre Bimba fosse incomparável e esse treinamento
durava cerca de 3 meses só então é que o aluno seria batizado.
O BATIZADO
O batizado era quando o aluno
jogava pela 1ª vez na roda com o acompanhamento dos instrumentos, que era
formado por 1 berimbau e 2 pandeiros. O mestre escolhia o formado que jogaria
com o calouro e então tocava o toque que caracteriza a capoeira regional, para
isso o calouro era colocado no centro da roda para que o formado ou o próprio
mestre desse um apelido a ele. Escolhido o "nome de guerra" todos
aplaudiam e então o mestre mandava o calouro pedir a "Benção" do
padrinho, e ao estender a mão para o formado que o batizou, receberia uma
"Benção" (Golpe frontal dado com a parte inferior do pé empurrando o
adversário na altura do peito) que o jogava no chão.
Era necessários pelo menos, 6
meses de treino para se formar na Capoeira Regional. O exame era realizado em 4
domingos seguidos, no Nordeste de Amaralina. Os alunos a serem examinados eram
escolhidos por ele. Durante 4 dias os alunos eram submetidos a algumas
situações onde teriam que mostrar os valores adquiridos durante a fase de
aprendizado, como por exemplo: força, reflexo e flexibilidade. No último
domingo é que o mestre dizia quem havia sido aprovado e então ensinava novos golpes
e também marcava o dia da formatura.
A FORMATURA
A cerimônia iniciava com uma roda
de formados antigos para que as madrinhas e os convidados pudessem ver o que
era a Capoeira Regional. Mestre Bimba ficava ao lado do som, que era formado
por 1 Berimbau e 2 pandeiros, comandando a roda e cantando as músicas
características da Regional. Terminada a roda, o mestre chamava o orador que
geralmente era um formado mais antigo para falar um breve histórico da Capoeira
Regional e do mestre. Após o histórico, o mestre entregava as medalhas aos
paraninfos e os lenços azuis (Graduação dos Formados) as madrinhas. Os
paraninfos colocavam a medalha ao lado esquerdo do peito do Formado e as
madrinhas colocavam os lenços nos pescoços dos seus respectivos afilhados. A
partir dai os formados demonstravam alguns movimentos a pedido do mestre para
mostrar a sua competência, incluindo os movimentos de "cintura
desprezada", "jogo de floreio" e o "escrete" que era o
jogo combinado com o uso dos Balões. Para terminar, chegava a hora do
"Tira-medalha" onde o recém formado jogava com um formado antigo que
tentava tirar a sua medalha com qualquer golpe aplicado com o pé. Só então
depois de passar por isso tudo é que o aluno poderia se considerar aluno
formado de Mestre Bimba, tendo direito até de jogar na roda quando o mestre
estivesse tocando Iuna que é o toque criado por ele para esse fim. A partir dai
só restava o curso de especialização.
Sistema de graduação de Bimba consistia
em 4 lenços de seda na seguinte ordem:
Lenço azul: aluno formado
Lenço vermelho: aluno formado e especializado
Lenço cor amarelo: curso de armas
Lenço cor branco: mestre de capoeira
Lenço azul: aluno formado
Lenço vermelho: aluno formado e especializado
Lenço cor amarelo: curso de armas
Lenço cor branco: mestre de capoeira
O CURSO DE ESPECIALIZAÇÂO
Tinha duração de 3 meses, sendo 2
na academia e 1 nas matas da Chapada do Rio Vermelho Tratava-se de um
treinamento de guerrilha, onde aconteciam as emboscadas, armadilhas e etc., que
consistia em submeter o formado a situações das mais difíceis, desde
defender-se de 3 ou mais Capoeiristas, até defender-se de armas. Terminado o
curso, o mestre fazia a mesma festa para os novos especializados, e estes
recebiam o lenço vermelho a cor que representava a nova graduação. O aluno que
se formava ou se especializava, tinha a o dever de pendurar um quadro com a
foto mestre, do padrinho, do orador, e a própria foto.
Pra quem ainda não conhece "
Mestre Bimba: A Capoeira Iluminada" é um excelente documentario sobre a
vida de Mestre Bimba. Vale a pena conferir
Trailer: " Mestre Bimba: A capoeira iluminada"
Vale a pena ver esses outros vídeos também!
O hino da Capoeira Regional
Entrevista com Mestre Bimba
Espero que tenham gostado.
Estagiária Malu
Estagiária Malu
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
O QUE É A CAPOEIRA?
Ser um bom capoeirista não é só "bater perna", dar rasteira, saltar. Para ser um bom capoeirista é necessário também saber um pouco da história dessa nossa luta, dança, arte, desse nosso Patrimônio Cultural do Brasil.
"Capoeira é luta de dançarinos. É dança de gladiadores (...).
A submissão da força ao ritmo. Da violência à melodia.
A sublimação dos antagonismos (...).
O capoeira é um artista e um atleta, um jogador e um poeta."
Dias Gomes
A CAPOEIRA... É dança? É jogo? É luta? É tudo isso ao mesmo tempo? Parece que sim, e é isso que a torna tão complexa, tão rica e tão surpreendente. É luta, dissimulada, disfarçada em "brinquedo", jogo de habilidade física, astúcia, beleza e muita malícia!
A Capoeira é uma manifestação da cultura popular brasileira que reúne características bem peculiares: mista de luta "jogo" dança, praticada ao som de instrumentos musicais (berimbau, pandeiro e atabaque), palmas e cânticos. É um excepcional sistema de autodefesa e treinamento físico, destacando-se entre as modalidades desportivas por ser a única originalmente brasileira e fundamentada em nossas tradições culturais.
Na sua mais completa definição e formação, a Capoeira nasceu no Brasil. Com início da colonização, os português viram no trabalho escravo um instrumento para o desenvolvimento desejado por eles. Tentaram, no começo, escravizar e explorar o trabalho dos indígenas que aqui já viviam, mas as características físicas e culturais, somadas à resistência ao trabalho cativo por parte dos índios, os levam à morte rápida no cativeiro. A saída encontrada pelos colonizadores foi a escravidão negra, o tráfico de homens negros, trazidos do continente africano para o início de grande saga que marcou a sociedade brasileira: o período das torturas, da lei da chibata e da morte como reguladora das relações de trabalho. Um povo passou a viver na escravidão.
Assim, já no início do século XVI, milhares de africanos foram desembarcados em terras brasileiras. Com eles, a história do país ganhou alterações. Inicialmente foram mão-de-obra nos canaviais e depois na mineração e em outras atividades produtivas. Foram trazidos contra sua vontade, mas, naturalmente, trouxeram sua cultura, sua vivência e, com ela, a semente da liberdade que nunca morreu, mesmo na terra marcada pelos horrores da escravidão.
É claro que essa cultura não estava nas escolas, nos livros nem nos museus. Mas era guardada no corpo, na mente, na vivência histórica do povo e transmitida há séculos através das gerações. Manifestava-se por intermédio da música, da dança, da comida, da filosofia e da religião. Basta recorrer à história do Brasil e encontraremos, a partir do século XVI, a cultura negra presente com o seu vasto conjunto de expressões.
Nenhum povo vive eternamente sob o jogo da escravidão sem se revoltar. Com o negro no Brasil não foi diferente. Suas primeiras reações contra o cativeiro foram as fugas e as revoltas individuais e desorganizadas. Com o tempo, sentiu a necessidade de organizar sua resistência contra o opressor e passou a planejar as fugas e a pensar as formas de luta que travaria para se libertar. Também entendeu que precisava de refúgios seguros, longe das fazendas, da polícia e capangas do branco escravocrata.
Para realizar as fugas, o negro entendeu que precisava lutar. Não tinha acesso a armas nem a qualquer outro recurso de guerra. Tinha apenas seu corpo e a vontade férrea de se ver em liberdade. Havia trazido da África lembrança de jogos e "dança das zebras", disputa festiva pelo amor de uma mulher. O próprio trabalho pesado dotava-lhe de força os músculos. Era preciso juntar e canalizar essa agilidade e força para a luta. A observação do comportamento de alguns animais brasileiros, particularmente o lagarto, a cobra e a onça, que atacam e defendem-se com destreza, ajudou na formação de um conjunto de movimentos que reuniu, então, a agilidade, a técnica e a força.
Começaram a serem ensaiadas, inicialmente, as rasteiras, os pulos, as cabeçadas que iriam se desenvolver muito mais posteriormente.
Tornou-se necessário praticar, treinar e organizar os movimentos conhecidos em forma de luta. Para isso era necessário afastar-se das vistas dos feitores e guardas das fazendas, engenhos e minas. Mais uma vez o negro encontrou na natureza esse apoio. Entrava nos matos próximos às senzalas para se esconder e se preparar para a luta. Escolhia o mato com poucas árvores e de ramagem baixa. Essa vegetação leva o nome indígena de "capoeira". Esse termo passou a designar também a forma de lutar e de adestrar o corpo utilizado pelo negro para enfrentar seus opressores: a Capoeira.
Mas, nem sempre era possível afastar-se para o mato para o ensaio da luta. Como o negro nunca deixou de praticar sua cultura era comum, durante o período da escravidão, que se juntassem grupos de homens e mulheres para a cantoria, para a dança e mesmo para o culto aos orixás que também são saudados com ritmos e cantos. Como a Capoeira nasceu conjugando movimentos de danças, os encontros festivos ou místicos passaram também a ser mais uma oportunidade para a sua prática, já que esses encontros, principalmente os festivos, não eram reprimidos pelos donos de escravos. Assim a Capoeira ganhou o acompanhamento de cantos e ritmos que já eram conhecidos pelos negros com destaque para o berimbau, o atabaque e o agogô. Mas foi o berimbau que ficou como uma espécie de símbolo da Capoeira. Desta forma, o berimbau, considerado o mestre dos mestres na Capoeira, ganhou importância nas lutas pelas suas possibilidades rítmicas e sonoras. Ganhou a função de comandar o jogo da capoeira com seus diferentes toques. Então, ao som dos instrumentos, palmas e cantorias, o negro recriava o seu universo cultural, cultivava o seu misticismo, alegrava-se ou lamentava-se e ainda se preparava para a luta.
Os feitores e capatazes passavam ao lado da festança e acreditam ser apenas um encontro para a "dança de Angola", que recebia esse nome em função da nação africana que mais cedeu negros para o tráfico de escravos. Afastando-se os feitores, intensificava-se o treinamento e o negro aparelhava-se cada vez mais para lutar. Mesmo que um feitor parasse e ficasse admirando a dança, dificilmente compreenderia que aqueles movimentos, executados com leveza dos felinos e com a plástica de um bailarino, pudesse trazer, no seu conjunto, poderosos golpes desequilibrantes, traumatizantes e rápidos como o bote da temível cascavel.
Mas a escravidão continuava, o sangue do negro molhava as terras do Brasil ao mesmo tempo que sua força-de-trabalho movia a economia da então colônia portuguesa. Mas o negro não aceitava a condição de escravo nem os métodos desumanos da escravidão. Lutava, fugia, procurava ganhar forças junto a outros setores da comunidade, sensibilizava os chamados abolicionistas.
Em suas fugas utilizava-se da Capoeira para o enfrentamento com os seus opositores. Embrenhava-se no mato, procurava um lugar onde a água fosse boa e a terra generosa e que fosse de difícil acesso aos chamados "capitães-do-mato", homens encarregados de recapturar os negros fugitivos. Essas localidades, que agregavam geralmente um significativo número de homens e mulheres negros, ficaram conhecidos como "quilombos" e seus moradores como "quilombolas".
O mais famoso e importante quilombo da história brasileira foi o quilombo de Palmares, que surgiu no início do século XVII onde hoje se situa o atual Estado de Alagoas.
Esse quilombo ganhou importância pela sua organização interna, sua capacidade de resistência na guerra contra os escravocratas e pela eficiência de seus integrantes na produção de alimentos, roupas e posteriormente armas. Palmares resistiu a quase um século as agressões dos brancos.
Todo quilombo possuía um líder, o Ganga Zumba que, por sua vez obedecia a um líder maior, com influencias em vários outros quilombos, chamado Zumbi, um misto de homem-guerreiro e de deus da guerra. O mais famoso foi justamente o lendário Zumbi dos Palmares, hoje símbolo da toda luta e resistência contra todas as formas de injustiça e de opressão. Zumbi dos Palmares comandou os guerreiros de Palmares nos últimos anos de existência daquele quilombo.
Estrategista habilidoso, guerreiro imbatível, instituiu a Capoeira no adestramento de seus homens. Palmares foi destruído em 1694 pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho. Zumbi conseguiu escapar vivo, mas tempos depois foi traído. Preso, foi decapitado e sua cabeça viajou quilômetros para assustar, intimidar os negros. Não adiantou. Os negros julgavam Zumbi imortal e a luta continuou...
Em 1888 ocorreu "Abolição da Escravatura". O mínimo que se pode dizer é que a capoeira desempenhou importante papel para apressar o fim da escravidão instituída. Foi luta, foi resistência, foi instrumento que apavora os opressores. Reunidos em grupos, os negros formavam as famosas "maltas", conjunto de capoeiristas temíveis que investiam contra fazendas e engenhos para libertar outros negros. A capoeira convenceu, pelo medo, aqueles que insistiam em ver na escravidão vantagens econômicas, que o melhor seria a abolição.
Mas os problemas dos negros não terminam com a assinatura da Lei Áurea. A falta de trabalho, o difícil acesso à educação e mesmo a exploração dos que conseguiam alguma forma de emprego continuam existindo e marcam nossa história até os dias de hoje.
Os capoeiristas, após a abolição, encontraram mais uma vez na capoeira meio de sustento e instrumento de educação de seus filhos e apadrinhados. Faziam exibições públicas, participavam de apostas e desafios nos quais sempre se podia ganhar algum dinheiro. Continuou também como uma arma de defesa de uma camada social explorada e discriminada.
Por outro lado, foi impossível barrar o surgimento de grupos que colocavam a capoeira a serviço de grã-finos e de políticos inescrupulosos que sabiam muito bem usar o povo contra o próprio povo. As Maltas menos esclarecidas eram utilizadas para desmanchar comícios, perseguir adversários políticos e desmanchar reuniões públicas. Consta até mesmo que, aproveitando-se da ilusão de que a princesa Isabel era protetora dos negros, os monarquistas criaram grupos de capoeiristas que atacavam os republicanos.
Perseguida a ferro e fogo durante a escravidão, a capoeira continuou sendo alvo dos poderosos mesmo após a abolição. Agora era com leis que tentavam dar-lhe um fim. O código penal de 1890, criado e imposto durante o governo de Deodoro da Fonseca, proibiu a prática da capoeira em todo o território nacional. O código foi reforçado com decretos que especificavam penas pesadas contra capoeiristas. A perseguição oficial somava-se o ódio de alguns chefes, chefetes e vassalos da polícia que tentaram, então, exterminar por completo a capoeira. O motivo só pode ser aquilo que ela traz na sua essência: A Liberdade.
E foi em nome da liberdade, agora não somente para o negro, mas para a capoeira como um todo, que a luta continuou. E mesmo sob o ferro da repressão, grandes nomes de capoeiristas célebres passaram para a história como Nascimento Grande, Manduca da Praia, Natividade, Pedro Cobra e Besouro Magangá, entre outros. Mas é o nome desse último, Besouro nasceu na Bahia e ganhou esse nome devido à lenda que o cerca, atribuindo-lhe a capacidade de se transformar em inseto e fugir voando quando cercado por muitos homens armados. Sem usar armas, o famoso capoeira, bateu-se a vida toda contra a injustiça. Defendeu trabalhadores contra patrões desonestos, investiu inúmeras vezes contra a polícia para defender inocentes. Perseguido, nunca deixou-se prender. Nem as balas conseguiram acabar com ele. Foi vítima de uma arma mais poderosa: A Traição. Seu nome é glória na capoeira e símbolo de todo aquele que combate a injustiça e a desigualdade.
Mesmo com toda perseguição, a Capoeira não foi extinta. Nos terreiros, nos quintais, no mato, ela continuou sendo transmitida de pai para filho, de amigo para amigo, de camarada a camarada. Continuou inclusive seu aperfeiçoamento, sua capacidade de dotar o corpo de condições perfeitas para todo o tipo de enfrentamentos. Sobreviveu aos diversos períodos ditatoriais pelos quais passou a República no Brasil.
Em 1932, no Governo de Getúlio Vargas, o país enfrenta mais uma de suas inúmeras crises. Getúlio Vargas, político esperto, trata de agradar o povo com medo de sua possível revolta organizada. Sabia que a Capoeira estava latente no seio do povo e mandou que a liberassem. Impôs, porém, a condição de que ela fosse praticada apenas como folguedo, como "folclore", e que perdesse, assim, sua condição de cultura popular, de elemento utilizado pelo povo.
Foi após a liberação que a história de Capoeira sofre uma profunda divisão. Continuou sendo praticada nas suas origens, ainda com o nome de Capoeira de Angola, mas perdia terrenos para outras formas e costumes que visavam atender a interesses econômicos, como o turismo, e interesses políticos para agradar autoridade plantão. Um nome que lutou a vida toda para preservação da Capoeira, como cultura popular, como herança histórica foi Mestre Pastinha - Vicente Ferreira Pastinha, chamado Mestre dos Mestres na Capoeira. Para Pastinha, a Capoeira era muito mais que luta, que esporte, era filosofia de vida.
(Retirado de www.ecab.org.br)
Estagiária Malu
Assinar:
Postagens (Atom)



























